segunda-feira, 3 de junho de 2013

Presidente Epitácio, fronteira entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, é hidratada pelo Lago do Rio Paraná. O represamento, em 1998, do rio, pela Usina Porto Primavera*, instalada no município de Rosana, no Pontal do Paranapanema, resultou nesse lago magnífico. Antes, o rio era portentoso, piscoso, tema de perdidas canções e poesias populares. Hoje, o encanto é hiperbólico, e se aproxima mais ainda do nome em tupi- guarani, paraná ou "rio semelhante ao mar".

    Depois de denúncias de superfaturamento, constante adiamento das obras e a opressiva conduta da Cesp para retirar a população ribeirinha do longo trecho inundado, o Lago do Rio Paraná ocupou 225 mil hectares, o que elevou em nove vezes o leito do Paraná - são sete baías de Guanabara. 

    De Epitácio a Rosana, em linha reta, há uma distância em torno de 170 quilômetros, o que ajuda a revelar a grandeza do lago, que volta à largura natural entre margens, à jusante, na altura do município de Panorama, um popular território para pescaria.


    Nas margens paulistas, o observador pouco consegue notar na linha do horizonte, marcada e nivelada pela outra margem do rio, o fino contorno das terras de Mato Grosso do Sul

  De um lado ao outro, mais de sete quilômetros de águas onduladas pelos constantes ventos originários do Sul. Para atravessar a colorida fronteira, a linear ponte Hélio Serejo, escritor e jornalista que viveu em Presidente Venceslau, a 35 km de Epitácio, oferece 2.550 metros de extensão mais um aterro de 10 quilômetros. 

    Até Epitácio, desde Campinas, são 630 quilômetros. Vale o passeio, pela beleza da região, pela culinária matogrossense (churrasco e mandioca cozida), pela irrecusável costelinha de pacu frita, com cerveja sempre gelada nos bares ribeirinhos. Tudo isso, para saborear o cair das tardes iluminadas por uma composição magistral de cores aquáticas e celestes.

* O nome oficial é Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, o que não me convence, exatamente pelo histórico do homenageado e pelos estragos ambientais e orçamentários.  O valor inicial da obra era em torno de R$ 3 bilhões; o final, mais de R$ 9 bilhões, depois de diversas denúncias de desvio de verbas. A obra, projetada no governo Paulo Maluf, em 1980, entrou em funcionamento somente em 2003, durante o governo Geraldo Alckmin. http://www.cesp.com.br/portalCesp/portal.nsf/V03.02/Empresa_UsinaPorto)

- As imagens foram por mim capturadas em 1º de junho de 2013, por volta das 17h30, na margem paulista do Lago.

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