quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Jornalismo alzheimer

Aos poucos, as redações dos jornais de Campinas começam a se esquecer das razões da crise que se instalou no mundo político da cidade. As reportagens e os comentários sobre os efeitos das denúncias e das  investigações com foco na corrupção instalada na Sanasa e no Palácio dos Jequitibás gradualmente incorporam um outro olhar, desviante. As críticas agora são dirigidas ao Poder Judiciário, por força das decisões que geram a troca-troca do ocupante da cadeira no quarto andar dos Jequitibás, ao prefeito Demétrio Vilagra e ao PT e, eventualmente, até mesmo à Câmara Municipal.

A cobrança, nem sempre incisiva, sobre a responsabilidade dos vereadores nesse episódio parece repetir os sete anos nos quais o Dr. Hélio e os que mais precisavam agiram sem uma fiscalização política do parlamento e aliados de um jornalismo passivo, leniente.Dia a dia, as reportagens e os comentários dão conta de que o Judiciário é contraditório e demonstra não levar em conta o interesse da cidade ou que o prefeito Demétrio Vilagra estaria se agarrando ao poder, sem qualquer pudor. O período em que o presidente da Câmara, Pedro Serafim, assumiu a Prefeitura temporariamente, foi tratado como "prefeito" (e não como prefeito em exercício) desprovido de qualquer responsabilidade pelo troca-troca.

Os jornais privilegiam os ataques técnicos e jurídicos, num jogo de força, entre advogados na busca de medidas liminares para assegurar a posse de seus representados. 
As redações praticamente abandonaram qualquer projeto de investigação mais consequente sobre a responsabilidade do Dr. Hélio e da operosa esposa, a médica Rosely Nassin Jorge Santos, ex-chefe de gabinete. Pouco se sabe sobre o casal, a não ser quando os jornais publicam, pontual e com muita brevidade, que foram vistos ou encontrados em algum shopping da região. Nada mais.

O mesmo ocorre com o distanciamento em relação ao Ministério Público. As pautas passam longe das investigações, ainda em curso, do Gaeco. O ex-presidente da Sanasa, o delator Luiz Augusto Castrillon de Aquino, então, virou fantasma. O ex-presidente, que o sucedeu, Lauro Péricles Gonçalves, é devedor, até hoje, de uma entrevista esclarecedora sobre o período em que comandou a Sanasa e conviveu com as ordens da Dra. Rosely.

E o planeta gira, sustentável, no vácuo de informações relevantes que poderiam ajudar a esclarecer um mundo ainda subterrâneo, acobertador de negociatas e negócios nem sempre republicanos.

Fragmento - O relacionamento negocial entre algumas empresas de comunicação de Campinas e as despesas e contratos de publicidade da Prefeitura Municipal durante o governo do Dr. Hélio é um tema que merece ser revelado algum dia.  Isso pode explicar a inapetência das redações em investigar a administração municipal entre 2004 e 2009.

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