Hoje, 3 de maio, conforme calendário da Unesco, comemora-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A Assembleia Geral da Unesco declarou esta data para comemorar e difundir os direitos à informação, a liberdade de imprensa para publicar e assegurar o livre fluxo de informação como elementos fundamentais para as sociedades democráticas.
O conceito liberdade de imprensa nasceu na obra do escritor e poeta John Milton, Areopagítica, e projetava a ascensão de uma nova classe social, a burguesia, apoiada no indivíduo e na liberdade econômica em oposição aos regimes monárquicos absolutistas e no anacrônico mercantilismo.
No século XVII, Milton convivia, em Londres, com editores tipógrafos que imprimiam obras num sistema artesanal. A obra sempre era autoral, pois o conceito de empresa e de indústria ainda era rudimentar, praticamente desconhecido.
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| The mind is its own place and in itself, can mak a heaven of hell, a hell of heaven (John Milton). |
Desde então, a liberdade de imprensa foi adotada como valor para justificar e legitimar a impressão de livros e periódicos destinados à disseminar ideias políticas, reformadoras e revolucionárias, sem qualquer tipo de censura.
Com o advento da industrialização, as empresas jornalísticas se apropriaram do termo para legitimar as práticas mercadológicas, num ambiente de liberdade econômica.
E,no século XX, as organizações midiáticas são incorporadas a monopólios industriais e financeiros e se tornam braços ideológicos e jornalísticos de seus interesses. Exemplo gritante é o do australiano Rupert Murdoch, que adquiriu diversos jornais ingleses, entre eles o News of the World, protagonista de uma dos maiores escândalos e crimes de imprensa na Inglaterra.
Na outra face do espectro, a organização Repórteres Sem Fronteira registra, em 2015, a morte de 63 jornalistas no exercício da profissão, mais 40 profissionais assassinados, além de 19 jornalistas-cidadãos mortos em situações que envolviam a liberdade de imprensa.
Hoje, a liberdade de imprensa ampara a ação de empresas midiáticas que transitam além da atividade jornalística e recorrem ao fundamento ético e legal para justificar abusos e processos monopolísticos que constribuem para a concentração de riqueza e de ameaçador poder para-estatal.

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